Crítica | Nasce Uma Estrela



Finalmente o filme que muita gente - principalmente alguns monstrinhos - estavam esperando estreou.  Com protagonismo de Lady Gaga e Bradley Cooper, Nasce Uma Estrela foi elogiado pela crítica de forma geral, tendo uma média alta no metacritic e ganhando atenção por onde passa. Apesar de muita gente duvidar da atuação da diva pop pelo prévio - e ínfimo - trabalho em American Horror Story: Hotel, Gaga mostrou ser uma atriz competente e merecedora da provável indicação ao Oscar, encarnando uma personagem que deseja trilhar o caminho pra fama. Entretanto, o que mais se destaca nesse filme não é ela: é o seu companheiro.
Previamente indicado a três Oscars - em anos seguidos, inclusive -, Bradley Cooper tem aqui o seu melhor trabalho como ator e a sua estreia como diretor. Primeiramente, falarei da composição de personagem dele, e posteriormente do seu primeiro filme dirigindo.



Jackson Maine é muito parecido com vários cantores que a gente vê e viu durante todas essas décadas. Um musicista maravilhoso, com fama, dinheiro, um coração enorme, mas que tinha seus fantasmas no armário, sua dependência em drogas e ninguém pra lhe segurar. É nesse estado caótico que encontramos o personagem, e é por ele que Ally, a personagem da Lady Gaga, se apaixona. Bradley dá o tom exato da depressão latente, do coração quebrado e dos pedidos silenciosos - mas ensurdecedores - de ajuda.
Além disso, há de se ressaltar um fato: ele não é cantor. Ainda assim, como Ryan Gosling fez em La La Land com o piano, ele se dedicou ao estudo, aprendeu a controlar a voz e fez um trabalho incrível, não perdendo em muita coisa pra já profissional Gaga.
Já enquanto diretor, Cooper trata com um tom doce, suave e intimista um filme que, no fim, acaba sendo mais que um romance. A Star Is Born tem outras três versões, e Bradley cria uma que sai diferente de todas as outras. Sua direção de elenco é fenomenal, e não só na inexperiente Lady Gaga. Sam Elliott é outro ator que se sobressai fazendo o papel de irmão do Jack e portador de alguns dos maiores momentos dramáticos do filme.
Nos seus 136 minutos de duração, o espectador é levado à pele dos dois protagonistas o tempo inteiro - seja reagindo a uma fama inesperada mas desejada, seja enfrentando suas dores, seja olhando pra plateia e se emocionando porque ela está gritando pra você. Esse é o ponto forte da direção do estreante: o filme é seu. É nosso.


Nasce Uma Estrela não é somente um romance e um musical. É sobre se encontrar em você mesmo e em outra(s) pessoa(s). É sobre ter fé, mas não espiritual, e sim em mudanças. É sobre não desistir dos seus sonhos, perseverar e acreditar em si mesmo. O filme consegue trazer em quem assiste uma chama de que tudo é possível e de que você é capaz. De que, mesmo com adversidades - e a parte interessante desses obstáculos referidos pela Ally foram coisas que a própria Lady Gaga passou -, as coisas podem dar certo. É sobre confiar. É sobre pensamentos e atos de pessoas normais, com dilemas comuns e com sonhos, com decepções e frustrações, independente de ser o maior astro do country que esse mundo já viu. E funciona. Funciona em emocionar, em nos conectar, em nos preencher. 

Mariana

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