Limite (1931), de Mario Peixoto, chega carregado e em
tempo das vanguardas, incorporando elementos estéticos e narrativos, tanto na
refinada estética expressionista, montagem soviética ou um enredo de aspecto
surrealista. É válido apontar que apesar da bagagem, Limite não perde sua
essência sofisticada e particular, sendo um filme considerado único na
cinematografia brasileira até os dias atuais.
Não apenas pela colaboração com o
diretor de cinegrafia Edgar Brasil, alemão de nascimento, Mario esteve em
completo contato com os movimentos que ocorriam na Europa, mais especificamente
na França e Inglaterra. Através desse contato, Mario foi capaz de realizar essa
obra que busca a fusão entre o espectador e o filme, tornando capaz a vivência
direta dessa experiência particular e poética.
Sabendo que o processo formal estabelecido pelas
vanguardas nas artes plásticas foi transferido para o cinema, não é uma grande
surpresa que em muitas críticas sejam citados os movimentos vanguardistas. Por
exemplo, Octávio de Faria, crítico e diretor do Chaplin Club durante os anos
1920, citou os movimentos em sua crítica sobre a obra de Peixoto e afirmou que
considera o filme a primeira produção de vanguarda do Brasil.
Por fim, é válido citar que no início dos movimentos cinematográficos havia essa busca por uma ruptura – principalmente com o realismo-naturalismo - característica dos movimentos de vanguardas, onde Limite se encaixa não só como tradução desses movimentos, mas como representação. Mesmo que também se aproxime do realismo e naturalismo, é por um viés de busca de significados e simbolismos, dentro de seus próprios limites no contexto do cinema brasileiro, no qual Limite se expressa – no final das contas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário